Arte – O Abstrato de Vander XCheX

Dentre tantas inspirações artísticas, amigo e e um dos frente do Movimento Cultural de Ermelino Matarazzo, Vander Che (28)  é artista, grafiteiro e neste mês teve sua primeira exposição.

Che tem um estilo abstrato único e totalmente original. Faz parte do coletivo de grafitti Muros que Gritam, que já realizou diversos eventos para dar cor e vida aos muros cinzas de SP. Também tem a sua arte em muros de diversos estados brasileiros.

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Quero que conheçam mais sobre o Che, sua arte e seus movimentos. Realizei uma breve entrevista com ele, confiram:

Como define a sua arte?

Nossa, uma ótima pergunta (rsrsrs…). Confesso que, nos últimos três anos, essa questão sempre rondou minha atuação enquanto grafiteiro e não como artista. Sim, era uma crise – e continua sendo – que tenho em me definir enquanto artista e enquanto fazedor de arte. Colocando de12573200_1133424560002698_7499334021794684221_n lado essa questão das crises e tantas outras, hoje me considero artista, pois procuro modificar algumas coisas que encontro por ai, e colocar nelas os sentimentos, ideias, pensamentos que circundam o mundo em que vivo e no mundo que acredito.

Pesquiso muito sobre arte abstrata, as referências artísticas vão a Paul Klee, Wassily Kandinsky (minha inspiração maior enquanto artista e enquanto ser humano, teórico d arte e etc…), Salvador Dali, Remedios Varo, assim como de outras linguagens artísticas que não são plásticas, por exemplo, a música, que possui uma energia extrema em minhas produções, assim como a paisagem urbana, os animais, a própria cultura indígena brasileira.

Definiria, a minha produção como uma parte de mim que está para o mundo, seja ela de maneira desenhada, rabiscada, pensada, figurativa, representativa e questionadora

 

A quanto tempo trabalha somente com a arte?

Estou nessa desde 2013, porém já produzia muitas coisas antes deste período. Efetivamente, estou no Graffiti desde 2008.

Em 2010 montamos um grupo chamado Muros que Gritam… com alguns amigos. A ideia inicial desse grupo era de fazermos pinturas, eventos e murais que saíssem um pouco do convencional. E nessas ações elaborávamos painéis e ações que envolvessem tão somente o Graffiti, mas também abordávamos questões sociais e políticas em nossas atividades, tornando-se assim um grupo que não apenas pintava mas, que também discutia sobre os problemas e possíveis soluções para a sociedade da qual vivemos.

Qual foi sua primeira experiência

Com as latinhas foi em 2005, mas só em 2008 que, efetivamente, fui pra rua com mais certeza. O primeiro local que pintei foi na Linha de Trem da CPTM – Linha Coral. Na época fiz letra e o parceiro que estava comigo (Cleiton – PUMBA) fez um desenho de um macaco. Eu continuei no graffiti e ele foi para outra área de atuação. Diria que foi engraçado, pois levamos muitas tintas e usamos mais tinta látex e pincel, não tínhamos conhecimento algo de spray e bicos de spray (caps). Infelizmente não tenho a foto deste role, mas tenho de outro que fizemos logo em seguida. 

Foi um contato incrível que, até hoje não consigo me desvincular de pintar na rua e de estar em contato com outras pessoas.

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Quando foi que os movimentos e coletivos começou a fazer parte do seu cotidiano?

Em 2007 participei do IPJ (Instituto Paulista de Juventude), que é uma instituição formada por pessoas que faziam parte da Pastoral da Juventude de São Miguel Paulista. Na época, montamos um GT de Cultura, onde realizávamos algumas atividades culturais: Cine Debate, Sarau e afins. Nesse período me aprofundei em conhecer a Literatura Periferia/Marginal, e tivemos um contato com o escritor Rodrigo Ciríaco em uma atividade que desenvolvemos na Ação Educativa, que tratava de ações voltadas a educação e cultura.

Em 2009 escrevemos um projeto para o Programa VAI chamado Tenda Literária e fomos contemplados. A proposta era ocupar a praça pública: uma em Guaianases, uma no Itaim Paulista e uma em Ermelino Matarazzo. Assim fizemos em 2009 e em 2010 continuamos com o projeto, sendo financiado pelo mesmo edital público. Após o término do projeto, sentia a necessidade de fomentar as discussões na região onde mora, visto que nessa época eu trabalhava e praticamente vivia em Guaianases. No primeiro ano do projeto, conheci o Uilian Chapéu, morador de Ermelino e começamos a pensar em nossas ações e principalmente no bairro. E a discussão calhou na mesma pauta: NÃO TEMOS CASA DE CULTURA, NÉ?

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Sarau Ocupa – Movimento Cultural Ermelino Matarazzo

Pois bem, de lá pra cá começamos a articular com grupos e coletivos culturais da região, para elaborarmos juntos algumas ações culturais para o bairro. Criamos então, em 2010 a Rede Cultura ZL, que tinha como proposta inicial: realizar uma agenda de atividades culturais com os grupos da região. Só que nossa demanda não era apenas para a agenda e a circulação nos eventos. E a necessidade foi aumentando, as demandas também, assim como as promessas da gestão pública em concretizar a Casa de Cultura, mas até agora temos promessas.

Depois de alguns anos realizando ações culturais no bairro, alguns grupos foram migrando para outras lutas, e eu sempre estive envolvido, de uma maneira ou de outra, nas discussões em prol da difusão cultural do bairro. Em 2015 criamos o Movimento Cultural Ermelino Matarazzo, para ampliar nossas discussões e fazer, coletivamente, ações na praça pública. Até hoje, o movimento tem a Ocupação Cultural realizando atividades, praticamente toda a semana na Praça Benedicto Ramos Rodrigues, localizada no centro de Ermelino Matarazzo.

Acredito que a arte, a cultura esteja extremamente vinculada em minha formação pessoal, em minha atuação no bairro e com as amizades e parcerias que foram sendo costuradas ao longo deste curto tempo de caminhada. Através destas ações, já participamos de seminários, de outras entrevistas e também conseguimos lançar um livro: Cultura ZL, Rede de coletivos de Ermelino Matarazzo – 2013, pelo Programa VAI com o projeto InformAtivo Cultura ZL II.

Não consigo me desligar dessas ações, é algo que esta em mim e que não consigo deixar de canto ou me sentir que: “Isso não é pra mim”. Pelo contrário, ainda bem que isso chegou, fincou raízes e esta comigo.

 

O que é o Movimento Cultural de Ermelino Matarazzo pra você?

É o que me movimenta, é o que me faz articular em, com e por diversos coletivos. É o que me alimenta em momentos de indecisão e também em momento de euforia. É poder construir, invisivelmente, contatos e conexões que vão muito além do nosso imaginário.

É o que carrego em minhas pinturas, em minhas palavras e atitudes. Falar do movimento é falar da minha vida, do quanto a arte tem promovido amadurecimento e crescimento enquanto ser humano e enquanto – agora – artista. O movimento é parte da minha extensão pelo mundo também.

Você fez faculdade, curso?

Formei-me academicamente em 2009 no curso de Licenciatura em História. De carreira profissional sou Educador de História. Mas acredito que sempre estarei me formando na vida, nas atividades e nas andanças por ai.

Para você, qual a importância para as pessoas conviverem com a arte?

A arte provoca o nosso senso crítico, para – às vezes – buscarmos entendimento sobre as coisas. A arte transmite pensamento, conhecimento, curiosidade, inquietação, dúvidas, prazeres, incômodos, resumindo várias sensações. E o que somos, de fato, senão tivermos sentidos? O que podemos ser, senão formos interrogados? Como entender o que se vê e o que se sente sem ter muitas explicações? Ou até não sentir nada?

O contato com uma peça teatral, com o cinema, música, artes visuais e plásticas, com a pintura, com o corpo, consigo mesmo é um fato que faz da arte estar em muitos lugares, e ela possibilita que nós – também – estejamos nela a todo instante. Como diz o rapper Criolo: “A arte liberta”, e disso eu não tenho dúvida. Ela liberta e alimenta a alma.

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A sua exposição ainda está aberta para visitas?

Sim. A Exposição AbstrAção está aberta para visitação até o dia 14 de maio de 2016. Esta exposição também abre mais um espaço na zona leste, a Garagem Ateliê que é o local onde crio, produzo, escrevo, penso, atuo intimamente com os objetos que re-faço artisticamente. Também é um local de convívio artístico, uma garagem mesmo que vem sendo adaptada para este fim.

A exposição é um resumo das minhas produções feitas nos últimos 3 anos. É aberta e gratuita. Venham visitar o espaço.

A Garagem Ateliê fica na Rua Governador Archer, 111 – Ermelino Matarazzo, zona leste de São Paulo. As visitas podem ser feitas de segunda a sábado. Acompanhem a divulgação das datas e horários na minha página no Facebook.

 

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TranspiArte!

Obrigado xChex! És sempre bem-vindo aqui!

Gostou? Compartilhe!!
Muita luz a todos,

Caroline Bueno

4 comentários em “Arte – O Abstrato de Vander XCheX

  • 2 de maio de 2016 a 09:22
    Permalink

    Muito obrigado galera pela entrevista. desejo tudo de bom pra todxs nós e que possamos ter nossas vozes e pensamentos extremamente lincados a nossa quebrada e ao mundo.

    Só tenho a agradecer pelo apoio. Nóixxx.

    Responder
    • 5 de maio de 2016 a 09:20
      Permalink

      Obrigado Gustavo!

      Responder
    • 6 de maio de 2016 a 20:16
      Permalink

      Obrigado!

      Responder

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