O Retrato de Dorian Grey, uma obra de Oscar Wilde

Recentemente li um romance para a faculdade, indicado pelo meu professor de História da Arte, chamado “O Retrato de Dorian Grey”, de Oscar Wilde. Um livro muito curioso, que me chamou atenção em alguns aspectos bem específicos, e diria até ambíguos. Mas para quem gosta de uma literatura clássica com elementos de hedonismo, irá se intrigar com a idéia que o autor propõe.

Oscar Wilde nasceu em Dublim, Irlanda, em 1854, filho de pais protestantes, foi um dos grandes dramaturgos da Inglaterra na Era Vitoriana, época onde o moralismo era pregado e a hipocrisia reinava, onde Wilde fará parte de uma das subversões.

Desde pequeno mostrou interesse nos grandes clássicos, pegando influencia da Antiga Grécia e dos romanos, mais tarde se torna um dos formuladores do esteticismo, ou dandismo, que defendia, a partir de fundamentos históricos, o belo como antídoto para os horrores da sociedade industrial, sendo ele mesmo um dândi.

Wilde levava uma vida bem extravagante e agitada, escreveu diversas dramaturgias entre elas O leque de Lady Windermere, de 1892; Uma Mulher sem Importância, de 1893; Um Marido Ideal e A importância de ser Prudente, ambas de 1895; alem de contos como O Príncipe Feliz e O Rouxinol e a Rosa, que escrevera para os seus filhos, e O crime de Lord Artur Saville. Sua popularidade cresce cada vez mais ao passo que se que se apresenta seus trabalhos e pensamentos  mundanos, e suas atitudes tornaram-se cada vez mais excêntricas.

Em 1895, Wilde é sentenciado por sodomia após três julgamentos por acusações de ações imorais. Um dos acusadores, o Marquês de Queensberry, era pai de Alfred Douglas, um rapaz para quem o artista escreveu uma carta durante sua prisão enfocando ser o culpado por sua desgraça. Bosie,apelido de Alfred Douglas, foi uma das paixões de Oscar Wilde, na qual mantinha relativamente em segredo, por mais que moderação não fosse um de seus dilemas.

Foi libertado em 19 de maio de 1897. Poucos o esperavam na saída, entre eles seu maior amigo Robert Ross. Passou a morar em Paris e a usar o pseudônimo Sebastian Melmoth. As roupas tornaram-se mais simples e o escritor passou a morar num lugar humilde, de apenas dois quartos. A produtividade literária era pequena. Mesmo com a fama que o marido havia recebido, Constance Lloyd visitou Wilde até o fim de sua vida, em 1898, dois anos antes de Oscar morrer por um ataque de miningite.

 

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Imagem do filme O retrato de Dorian Grey, de Oliver Parker, 2009

O Retrato de Dorian Grey, sua obra mais consagrada, mostra muito sobre o próprio autor e sua sublime forma de pensar. Dorian é um belo rapaz, que encanta os olhos de Basílio Hallward, um pintor. Lorde Henry, um hedonista intelectual e egocêntrico, é amigo de Basílio e por tanto desejar, conhece Dorian um dia quando fora visitar Basílio em sua casa e por coincidência Dorian aparece para mais uma seção, servindo de modelo para o que Basílio afirma ser sua mais bela obra já feita. Após o quadro ficar pronto Basílio oferece à Dorian ficar alguns dias com a obra e nesse meio tempo ele conhece Sibyl Vane, uma atriz de um teatro popular por quem Dorian se apaixona.

Quando um dia decide levar seus amigos para conhecer seu amor, é envergonhado pela péssima interpretação de sua prometida, que decepcionara toda a platéia, pensando no que havia de errado com a encantadora e talentosa personagem que havia conhecido vai ao camarim após o término do espetáculo. Sibyl Vane  explica que seria incapaz de interpretar dali pra frente, pois nada que vivera no teatro fora tão forte e vivo como estar ao lado de Dorian. Mas Dorian simplesmente acaba com Sibyl, deixando-a cair ao chão em lágrimas, dizendo que todo encanto que tinha sentido acabou com sua dramatização fútil e infeliz.

Por um estímulo, ao chegar em casa Dorian vai ver seu quadro e se impressiona com algo que nenhuma explicação racional e científica era capaz de dar, um detalhe que não havia em seu quadro antes acabara de aparecer, um sorriso maléfico traçava o que antes era um rosto jovial e puro, um rosto egocêntrico e excêntrico, percebendo que havia manifestando uma parte de sua alma ali.

Daí pra frente, o jovem vai mergulhado mais e mais em sua luxuria, individualidade e profanação. Sua loucura vai piorando a cada rumo que a história toma, levando a cometer cada vez mais barbaridades e contradições morais.

O romance é uma mistura de elogio à estética e paixões mundanas junto com a catharsis estilo grego – catharsis é como se fosse a moral da história ou a mensagem em que os gregos intertextualisavam com os dramas  e a tragédia no teatro – pois Dorian conhecerá o preço  a se pagar por levar uma vida de prazeres sem compromissos. A impressionante relação entre protagonista e autor nos reflete a que moral se aplica a liberdade de viver em cada um. Temas como a homoafetividade e o egoísmo, que são tratados de formas bem sutis.

 

O Retrato de Dorian Grey, filme completo de Oliver Parker, 2009

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