Especial Mês das Mulheres – Gerda Taro a fotógrafa que marcou o fotojornalismo na Guerra Civil Espanhola

 

Amigxs esse mês vou falar muuuuito sobre fotógrafas e artistas mulheres que nos deixaram e deixam histórias importantes, dando voz às nossas lutas, frequentemente boicotadas por homens. Vou fazer um especial de mulheres fotógrafas que marcaram história com bravura e sensibilidade.

Todos nós sabemos que as mulheres são jogadas ao escanteio quando se trata de história. Por muito tempo somos vistas como serventes dos homens e na sarjeta da sociedade. Mas isso não é verdade. Assim como na atualidade, a mulher do passado sempre buscou seu lugar na história, seu espaço.

Porém, como pensar em referências femininas se elas são caladas pela sociedade? Portanto venho com a proposta de trazer algumas pesquisas feitas sobre a mulher e a fotografia. Por onde pisamos, onde passamos e o que fizemos? É o que vamos falar nessa série especial de 5 episódios, inicialmente.

Nossa primeira convidada é Gerda Taro.

Gerda Taro

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Gerda Taro ou Gerta Pohorylle foi anarquista, fotógrafa e fotojornalista que registrou a Guerra Civil Espanhola que hoje marcam a memória daqueles eventos de 1936. Morreu atropelada acidentalmente por um tanque de guerra durante um ataque das tropas franquistas.

Gerda Taro, nasceu na Alemanha dia 1 de agosto de 1910, filha de judeus poloneses que viviam na Alemanha na região de Sttugart.

Desde muito nova começou a participar de  movimentos de contestação e manifestações trabalhistas, e com a chegada dos nazistas ao poder e por também já ter sofrido uma detenção, Gerda foge com sua amiga para Paris, França.

Em Paris conheceu por acaso seu amado Andre Friedman que também era Judeu e que tentava ganhar a vida como fotógrafo. Gerda e Andre se casam e vivem juntos até o último dia de vida de Gerda.

Andre ensinou Gerda todo seu conhecimento fotográfico e começaram a trilhar uma carreira profissional juntos, mas devido aos “nãos” que ouviram no caminho e a dificuldade financeira que viviam, eles tiveram uma ideia pra lá de curiosa.

Inventaram um personagem chamado Robert Capa, um renomado fotógrafo recém chegado dos EUA para trabalhar na Europa. Com tanto nome, “Capa” vende seus trabalhos por meio de representantes: eles próprios. Friedman e Pohorylle vendiam seus materiais pelo triplo do preço que um fotógrafo francês cobraria.

Esse truque deu tão certo que logo tiveram muitas encomendas e começaram a ganhar dinheiro como nunca tinham conseguido antes.

Em 1936 no começo da Guerra Civil Espanhola o casal se muda para Espanha para cobrir o conflito, tanto ela como Andre testemunham  diferentes episódios da guerra. Conviveram com os comunistas e anarquistas na frente da batalha. Faziam reportagens publicavas em revistas como “Regards” e “Vu“. Gerda e Andre são marcados profundamente pelo conflito, presenciando cenas jamais vistas antes. Com isso Gerda assume uma posição cada vez mais anarquista.

Logo Andre assume o papel de Robert Capa para si e Gerda continua em sua carreira solo na fotografia documental.

A reportagem mais importante de Gerda foi a primeira fase da Batalha de Brunete. Gerda presenciou o triunfo republicano na primeira fase do combate. Essa reportagem foi para a revista “Regards” em 22 de julho de 1937, dando a Gerda grande prestígio.

via internet
Foto de Gerda Taro via internet

Gerda morre em um trágico acidente voltando da batalha. A fotógrafa havia subido no estribo do carro do General Walter (membro das Brigadas Internacionais). De repente aviões inimigos passaram dando rasantes, lançando bombas e atirando com metralhadoras a baixa altitude, fazendo com que o comboio, em pânico, buscasse manobrar desordenadamente. Acidentalmente um tanque republicano acabou por golpear Gerda Taro, derrubando-a do carro e esmagando seu corpo. Morreu aos 27 anos no dia 26 de julho de 1937, deixando seus materiais fotográficos como simbolo da força feminina em campo de guerra.

 

Foto de Robert Capa fotografado pela Gerda Taro em maio do ano de sua morte 1937.

Soldados republicanos carregam um gravemente ferido na Passagem de Navacerrada, na Espanha.

Milicianas treinam nos arredores de Barcelona em Agosto de 1936.

Gerda foi a primeira fotógrafa mulher que morreu em uma guerra. E sua morte foi um pesar na vida de Robert Capa.

 

Para conhecer mais: Livro – Esperando Robert Capa

Resultado de imagem para Esperando Robert Capa

 

 

Até a próxima mulher da fotografia.

22 anos, experimentadora, fotógrafa e blogueira cultural.

Larissa Rocha

22 anos, experimentadora, fotógrafa e blogueira cultural.

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